A morte.
À morte.
Ah, Morte!
A morte, com sorte,
fará em mim seu corte.
Oh, ser de belo porte!
Desejo que me transporte
a seu mundo sem norte, sem morte.
Oh, Morte!
Que assistas a meus últimos estertores,
me arranque de meus amores, pois são também as minhas dores
Me esvazie de cores,
oh, Morte!
Do Inferno ao Paraíso e de volta.
domingo, 30 de setembro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
Palavras no vácuo da mente insana
Hoje não sou ninguém.
Sou uma santa;
sou uma deusa.
Sou a voragem de palavras desprezíveis e não pronunciadas.
Nada: é isto o que sou (e tudo o que jamais serei).
Sou uma santa;
sou uma deusa.
Sou a voragem de palavras desprezíveis e não pronunciadas.
Nada: é isto o que sou (e tudo o que jamais serei).
domingo, 29 de julho de 2012
Ensaio do Banquete Libertino
(A Sede de Luxúria e a Fome de Prazer se encontram e dão início
a um banquete libertino.). (Fome: - A Sede é forte. A Sede forte se enrola em meus
cabelos, desliza pelo meu corpo e me faz estremecer. A sede me puxa e me aperta
onde eu sinto fome. A fome se contorce e serpenteia entre as mãos sedentas, e
sua sede aumenta... ). São uma sede quente e
uma fome pulsante. São vivos e têm urgência. Apressam-se, para amenizar a sede
e diminuir a fome. Empurram-se e voltam a se juntar, e juntos crescem,
crescem...
(Sede:- A Fome é intensa e volteia conforme eu me enrolo
mais e mais em si. Movimenta-se comigo e parece que chegaremos a um acordo, mas
então afasta-se por um instante e volta a arremeter de maneira totalmente
diversa. Uma maneira que estimula a minha sede tanto que me faz querer pedir
água. A Fome é tão intensa e se funde em mim com tanta perfeição, que às vezes
sinto mesmo dificuldade em distinguir quem é Sede e quem é Fome. A fome vai e a
Fome volta e a Fome, a Fome...)
E então a sede transborda e a fome esborda , unidos em um grito
que diz que ambos foram saciados. E o Banquete Libertino foi encerrado.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Uma divagação sobre sonhos, liberdade e felicidade.
Será que as minhas escolhas são minhas? E meus desejos e
sonhos? Será que sou realmente livre? Existe felicidade? Às vezes penso que
somos todos marionetes da sociedade e a sociedade é marionete de si própria.
Conscientemente ou não, fazemos escolhas, sonhamos e desejamos de acordo com
aquilo que a sociedade verá e pensará do que fizermos. Por exemplo: sou
monogâmica. Mas será que sou assim por que eu decidi que prefiro a monogamia ou
é por que a sociedade em que vivo condena relacionamentos com mais de um
parceiro? Como vou saber se prefiro mesmo ser monogâmica se nunca experimentei
a bigamia ou a poligamia? E por que o medo de experimentar o novo? Vá lá que se
o senso comum diz que algo não é bom, deve haver um (bom) motivo. Mas sempre é
válido parar pra refletir. Pode ser que o senso comum não faça sentido.
Falar de senso comum me fez lembrar da já citada liberdade.
Sim, pois estamos acostumados a ouvir que somos livres. Mas que liberdade é
esta, que nos faz levantar cedo todos os dias para trabalhar em um lugar do
qual não gostamos, com uma atividade que detestamos, por exemplo? É estranha
uma liberdade que nos obriga a ir à escola, quando poderíamos aprender em casa,
ou uma liberdade que faz alguém esconder sua sexualidade. Por puro medo. E não
é só medo de apanhar, mas também de ser excluído de um determinado grupo,
afinal o bicho homem é um animal que geralmente gosta e precisa viver em
sociedade. E se resolvemos ser livres de verdade, temos de encarar
consequências bastante duras de suportar. Lembro-me de uma época em que
estudava Wicca, a assim chamada: “Religião das Bruxas”. Nesta época eu havia
recém-ingressado no meu local de trabalho, então as pessoas ficaram
naturalmente curiosas a meu respeito e fizeram as perguntas de praxe. Quando
quiseram saber de minha religião, cogitei não falar, pois não é comum encontrar
bruxas/os por aí e as pessoas realmente estranham. Mas pensei que vivo em um
Estado laico e, além disto, se outras pessoas têm o direito de crer em um deus
que comprovadamente não passa de uma colcha de retalhos, por quê eu não poderia
crer em deuses que são os próprios retalhos utilizados para fabricar tal
colcha? Pois bem: eu disse no que acreditava e o que meus colegas fizeram foi
rir da minha cara, debochar de mim e dos meus deuses. Nunca vou esquecer
daquele dia, do que eu senti naquela ocasião...
Por fim, há a questão da felicidade. Um sentimento que
deveria ser bom, mas tornou-se motivo de estresse e, sim, tristeza. Pois agora
somos obrigados a ser felizes. Pode?
Não, não pode. A felicidade não é uma obrigação. E a bem da verdade, acho que a
felicidade não é mais do que o que sentimos em alguns bons momentos. As pessoas
agem como se fosse possível ser feliz o tempo todo, andar por aí sempre com um
sorriso idiota estampado na cara. Mas como alguém pode se sentir feliz quando o
chefe vem te encher o saco tentando ensinar como se faz o serviço que você já
conhece de cor e salteado? Ou quando o namorado ou namorada fica te enchendo
por causa de ciúmes bobos? Sinceramente, esta busca incessante por uma
felicidade constante me irrita muito. Mas também me faz rir. Bem, eu acho
realmente engraçado ver as pessoas desesperadas e descabeladas por que não são felizes, porém mal percebem quando estão felizes. E todos aqueles livros de
auto-ajuda? Como um ser humano, que é teoricamente inteligente, pode cair numa
esparrela destas? Ora, se é auto-ajuda, só pode ajudar a quem escreveu, certo?
Sem contar que neste tipo de livro geralmente está escrito o óbvio. É claro que
se eu gastar mais do que tenho, contrairei uma dívida. Se eu for excessivamente
ciumenta com as pessoas, elas vão se afastar de mim. Se eu não me esforçar no
trabalho, não terei nenhuma chance de ser promovida. Obviedades. No entanto, as
pessoas parecem gostar de pagar para ler e às vezes até ouvir o óbvio.
Enfim, as pessoas deviam parar de se preocupar e aborrecer
tanto com e por coisas fúteis. E deviam parar de engolir tudo que tentam jogar
por suas pobres goelas abaixo. Pensar, ao contrário do que muitos pensam, não
faz mal à saúde. Claro é que parar para refletir e repensar as coisas que
fazemos, muitas vezes de forma automática, é um ato que por si só pode e,
provavelmente, vai mudar muita coisa na vida de quem tomar esta atitude. É um
ato que, no mínimo, vai mudar o jeito dela de ver, pensar e sentir tudo a seu
redor e fazer a pessoa ter pelo menos a consciência de que certas coisas não
são bem aquilo que parecem ser. Além disto, ter (ou achar que tem) consciência
de como as coisas realmente são torna tudo mais difícil, pelo menos a meu ver,
mas também torna as coisas mais práticas e leves. De fato, é como se um peso
fosse tirado dos seus ombros, para usar uma expressão bem manjada, e você
pudesse respirar um pouco melhor (outra expressão manjada). Acredito que viver
tão preocupada com muitas pequenas coisas, faz a pessoa se perder e sentir
sufocada dentro da própria cabeça e atrapalha a capacidade de raciocinar,
portanto, de resolver aquilo que realmente pode ser chamado de problema. Além
disso, estresse dá ruga e rugas de aborrecimento ninguém quer ter! Bom, é isso.
Obrigada a quem leu e desculpem pela encheção de saco!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
A História da Vida de uma Menina e da Morte de um Homem
Uma menina grita,
um homem escuta.
Uma menina tem medo,
um homem pode salvá-la, ou
um homem pode amedrontá-la ainda mais.
Um homem é mau.
Uma menina está em apuros!
Uma menina sente dor, porque
um homem abusou dela.
Uma menina pensa que vai morrer;
um homem pensa que vai se safar, mas
um homem está enganadado, pois
uma menina também se enganou:
uma menina sobreviveu
e um homem fugiu.
Um homem não é mais um homem.
Uma menina agora é uma mulher.
Um menino não consegue correr rápido o suficiente e
uma mulher quer vingaça.
Uma mulher está armada.
Um menino está em apuros:
uma mulher está atrás dele.
Logo atrás dele...
um homem escuta.
Uma menina tem medo,
um homem pode salvá-la, ou
um homem pode amedrontá-la ainda mais.
Um homem é mau.
Uma menina está em apuros!
Uma menina sente dor, porque
um homem abusou dela.
Uma menina pensa que vai morrer;
um homem pensa que vai se safar, mas
um homem está enganadado, pois
uma menina também se enganou:
uma menina sobreviveu
e um homem fugiu.
Um homem não é mais um homem.
Uma menina agora é uma mulher.
Um menino não consegue correr rápido o suficiente e
uma mulher quer vingaça.
Uma mulher está armada.
Um menino está em apuros:
uma mulher está atrás dele.
Logo atrás dele...
História de Amor
Um dia, rastejando pelo bosque,
cobra cega vi você,
borboleta
Quis te ter, mas você era livre e voou
E eu permaneci presa na escuridão
Há um tempo, anoitecendo no Ocidente
te vi de esguelha,
amanhecendo no Oriente
Fui atrás de ti, mas
quando cheguei, já estava do outro lado
Uma vez, da minha casa
vi você passando
Quis ir junto, mas
eu era a sedentária
e você, o nômade
Outro dia, te olhei nos olhos
e eles eram negros como os meus
Sorri, pois tive esperança
Mas anoiteceu e eu percebi
que você era a Liberdade
e eu, a Prisão
Chorei e arranquei minhas grades,
mas você já partira com o vento...
cobra cega vi você,
borboleta
Quis te ter, mas você era livre e voou
E eu permaneci presa na escuridão
Há um tempo, anoitecendo no Ocidente
te vi de esguelha,
amanhecendo no Oriente
Fui atrás de ti, mas
quando cheguei, já estava do outro lado
Uma vez, da minha casa
vi você passando
Quis ir junto, mas
eu era a sedentária
e você, o nômade
Outro dia, te olhei nos olhos
e eles eram negros como os meus
Sorri, pois tive esperança
Mas anoiteceu e eu percebi
que você era a Liberdade
e eu, a Prisão
Chorei e arranquei minhas grades,
mas você já partira com o vento...
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