Elisa agora pensava em ir embora. Deixar todo o pouco que tinha aqui e mudar de cidade. Ela estava perdida, confusa e insatisfeita e tinha consciência de que mudar de cidade não melhoraria sua situação, mas precisava fugir.
Tudo o que Elisa havia conquistado nos últimos tempos tinha um sabor amargo. E ela já não sentia ânimo pra nada. A mais, não tinha realmente ninguém. Sua família agora morava no norte do país, seus amigos... bem, eram apenas companheiros das noitadas que gostava de curtir. Elisa decidira ficar em sua cidade natal, mas ela realmente não lhe oferecia nada.
Dois dias depois, ela pediu demissão do serviço, fez as malas e foi até a Rodoviária. Perguntou qual era o próximo ônibus partindo para qualquer cidade que ficasse longe dali. A atendente lhe lançou um olhar de estranheza, mas respondeu assim mesmo. E lá se foi Elisa.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Ciúme
É fogo que arde sem ver, mas me queima toda por dentro, da
cabeça aos pés. É a vontade de arrancar os cabelos com as mãos, os meus e os
delas. É, às vezes, saber que não faz o menor sentido e não tem razão de ser,
mas sentir assim mesmo. É ter mil e uma visões torturantes, que mutilam
emocionalmente e azedam o frescor de um bom sentimento. É morrer de raiva sem
mudar de expressão. É a vontade de perder as estribeiras e descer do salto, só
para pegá-lo e arremessá-lo na direção de alguém... É vergonha, por saber que
isto está errado. É um pouco de insegurança e outro tanto de medo. É, minha
gente, o ciúme é feio de se ver e duro de se sentir!
quinta-feira, 28 de março de 2013
Melissa
Apenas uma garota triste e insegura. Essa era Melissa:
vivendo de fantasias num mundo onde não toleram quem tem a cabeça nas nuvens.
Melissa amava e queria ser amada da mesma forma. Não. Não da
mesma forma. Não com aquele desespero. Ela queria ser amada ternamente, mas
também firmemente. Queria ser amada sem sombra de dúvida. Amada com certeza.
O porém é que não tinha certeza. Sabia que amava e ouvia
isso da boca dele. Ouvia-o dizendo “Eu te amo”. Será que amava? Será que ele
amava a ela ou ao amor que ela fazia? Amava a ela, ou a seu sexo?
Que ele a tratava bem, isso não podia negar. Mas havia uma
frieza. Bom, talvez não fosse frieza. Quem sabe
não era ela que queria mais calor do que qualquer pessoa seria capaz de
oferecer.
Às vezes, ela podia passar uma noite toda em claro
conjeturando. E queria chorar, mas não conseguia. No fim, quando o sol nascia e
ela se dava conta de que não havia pregado os olhos, sentia-se miserável e
ridícula. E cansada, muito cansada.
Agora, Melissa estava de novo entrando naquele estúpido
estado de desespero. Mas ela não tinha culpa. Ele simplesmente sumira. Havia
combinado uma coisa com ela, mas sumira. Nem sombra dele, nem um telefonema,
mensagem de texto, sinal de fumaça, nada.
Entretanto, ela estava cansada de sofrer um desapontamento e
ficar em casa, parada, se escabelando. Resolveu sair sem ele. Foi atrás dos
amigos, que estavam em um bar curtindo a noite.
Chamou um táxi, pegou sua bolsa, seu casaco e foi.
Chegando lá, surpresa: os amigos não estavam. Mas estava
ele, o homem que ela amava. Claro, não estava sozinho. Não. Estava com a ex. A
mesma que o traiu, pisou e humilhou. A mesma que não estava lá quando ele
precisou e que ele não queria mais ver nem pintada de ouro. Ele estava lá com
ela, aos beijos e sorrisos.
E Melissa finalmente conseguiu chorar.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Que medo!
Esta inquietude nascendo em mim... O medo! O medo que devora minha alma, rasga meu coração e destrói minha paz de espírito. O medo não me deixa dormir. O medo tira meu apetite. Ele se apossa de mim, me envolve em escuridão e me puxa para uma queda sem fim. Vai embora, medo! Sai de mim.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Sofrer é ser feliz
Todo começo está fadado ao fim e todo fim ao sofrimento, para todas as partes. Mesmo para aquelas que se dizem felizes. Pois a felicidade é feita de momentos, mas os momentos são feitos do sofrimento que nos impulsionou para a frente apenas para buscar um alívio para a nossa dor. O sofrimento te trouxe ao mundo e dele te levará.
domingo, 30 de setembro de 2012
Morte
A morte.
À morte.
Ah, Morte!
A morte, com sorte,
fará em mim seu corte.
Oh, ser de belo porte!
Desejo que me transporte
a seu mundo sem norte, sem morte.
Oh, Morte!
Que assistas a meus últimos estertores,
me arranque de meus amores, pois são também as minhas dores
Me esvazie de cores,
oh, Morte!
Do Inferno ao Paraíso e de volta.
À morte.
Ah, Morte!
A morte, com sorte,
fará em mim seu corte.
Oh, ser de belo porte!
Desejo que me transporte
a seu mundo sem norte, sem morte.
Oh, Morte!
Que assistas a meus últimos estertores,
me arranque de meus amores, pois são também as minhas dores
Me esvazie de cores,
oh, Morte!
Do Inferno ao Paraíso e de volta.
sábado, 15 de setembro de 2012
Palavras no vácuo da mente insana
Hoje não sou ninguém.
Sou uma santa;
sou uma deusa.
Sou a voragem de palavras desprezíveis e não pronunciadas.
Nada: é isto o que sou (e tudo o que jamais serei).
Sou uma santa;
sou uma deusa.
Sou a voragem de palavras desprezíveis e não pronunciadas.
Nada: é isto o que sou (e tudo o que jamais serei).
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