segunda-feira, 9 de junho de 2014

Medo de quê???

Estou prestes a fazer 24 anos. Ainda sou muito jovem, cheia de saúde e energia. Mas não vai ser assim pra sempre. E agora eu me peguei pensando: quantas coisas eu já deixei de fazer por puro medo. Está certo que não sou nenhuma santa e já aprontei das minhas. Mas fico sempre tolhida pelo medo. Medo de quê?
Desde os oito anos de idade eu sonho em morar sozinha. E mesmo sendo jovem, já trabalhei bastante, até. Já tive oportunidade de sair da casa dos meus pais. Contudo, sempre fiquei pensando que eu não me daria bem morando numa república, com pessoas que eu não conheço. E se decidisse morar sozinha, perderia a maior parte dos confortos que tenho aqui. Mas é claro! Como uma pessoa pode esperar que, saindo da casa dos pais vai imediatamente poder investir em mobília completa, internet, máquina de lavar, etc., etc.?! E sem contar outras coisas que tenho de mão beijada, como roupa limpa e passada. Isso é o que eu chamo de falta de vergonha na cara. Uma coisa que detesto, mas da qual eu mesma sofro, se se pode dizer assim.
Também tenho vontade de viajar, conhecer outros lugares, outras pessoas. E não fui por quê? Boa pergunta! Isso eu nunca tive nenhum motivo pra deixar de fazer. Exceto o medo. Medo de me perder, medo de ir sozinha, medo de gastar o dinheiro e depois me arrepender. Pfff...
Outra coisa que eu queria ter feito: faculdade de medicina. "Ah, mas eu sou pobre e venho de escola pública. Mesmo que conseguisse passar no vestibular, nunca ia conseguir me manter em outra cidade e ainda arcar com alguma despesa do curso." Eu tentei, pra poder dizer isso? Não.
Enfim, tem várias coisas que eu já quis fazer e deixei pra lá, por medo. Medo de não ser capaz, medo de gastar dinheiro, medo de não dar certo, medo de os meus pais ficarem bravos, medo, medo, medo. Mas o tempo está passando e eu não estou ficando mais jovem. Por enquanto, ainda tenho meus vinte e poucos anos. Mas e quando não tiver mais? Mesmo que tiver a grana, será que terei disposição e coragem pra fazer tudo o que eu já deixei de fazer e que estiver dentro das minhas possibilidades? Será que deixarei pra lá de uma vez por todas ou serei uma tiazona porra-louca e impulsiva que faz todas as coisas que não devia e das quais mal consegue dar conta, por causa da idade? Não quero ser uma velha arrependida; tampouco quero ser uma pessoas que faz mal a si mesma e quem sabe até a outras pessoas só porque não deu a cara a tapa quando podia. Dessas coisas sim, é que tenho que ter medo. Quanto ao resto, tirando a morte, tudo se resolve, de uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal. E desde que eu saiba me conter (pois isso também é importante), creio que não haverá tantas coisas assim pra serem resolvidas.
Portanto, a partir de hoje, eu procurarei não deixar que o medo me atrapalhe. Ao infinito e além!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Um exemplo de que sempre há opção

Não sou a favor da pena de morte. Também não sou a favor de justiceiros. Se cada um resolver fazer justiça com as próprias mãos, logo não sobrará ninguém para contar a história, além do fato de que todos nos tornaríamos assassinos, portanto, criminosos. Por outro lado, essa história de que fulano é vitima do sistema e ciclano é só um pobre coitado que não tinha escolha também não cola. Todo mundo tem escolha. Eu digo isso porque conheço gente que já passou por poucas e boas, já viveu na miséria, sofreu com a violência desde pequeno, foi obrigado a fazer trabalho pesado numa idade em que a única obrigação de uma pessoa deveria ser com os estudos, enfim, gente que sempre teve uma vida duríssima. Essas pessoas poderiam ter se tornado criminosos. Poderiam ter resolvido roubar o que outros se sacrificaram tanto para ter, fosse um carro, dinheiro ou uma vida tranquila.
No entanto, essas pessoas optaram por um outro tipo de vida. Uma vida onde ainda teriam que trabalhar muito e que já sabiam que não seria fácil. Mas também seria uma vida onde viveriam da maneira mais honesta possível, sem tirar nada de ninguém; onde tudo que teriam seria fruto de seu próprio esforço. Além disso, se eles não sabiam na época a essa altura já perceberam que essa foi a melhor opção não apenas para eles, como também para seus filhos, os quais têm tido uma vida bem melhor do que a dos pais. Essas pessoas nunca se tornaram (e provavelmente nunca se tornarão) ricas, mas têm a tranquilidade de se deitar à noite sabendo que fizeram a coisa certa. Todo o progresso que essas pessoas fizeram foi por mérito próprio, porque elas se esforçaram para chegar onde estão. Todos continuam trabalhando muito e ninguém tem "vida fácil". Porém suas vidas são muito melhores do que seriam se tivessem ido pelo outro caminho. Sem contar o exemplo que dão a seus filhos de como, não importa o que aconteça, nós sempre temos opção e que a melhor opção é ser honesto. Essas pessoas são a minha família e eu me orgulho muito deles, assim como me sinto feliz por ter tido a sorte de ser criada por eles.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Estamos caminhando para uma idiocracia

Ando frustrada. Até mesmo triste. Tenho visto as pessoas se entreterem com as coisas mais bizarras da natureza (e da maldade) humana. Claro que sempre houve este tipo de "diversão". Mas tô meio chocada. Talvez eu seja ingênua, só isso. Talvez eu tenha um caso sério de estômago fraco, apesar de ter sempre pensado o contrário. Só não consigo entender como coisas como aquele filme chamado Centopéia Humana podem ser consideradas uma forma de diversão. Nem consigo entender, tampouco, o que tem na cabeça de quem resolveu fazer aquilo. Quase botei os bofes pra fora e ainda me encontro num estado de perturbação. E olha que nem mesmo assisti ao filme todo. Ainda por cima, poucos dias depois, fui submetida a um outro filme, Doce Vingança 2, onde uma mulher é sequestrada e estuprada por vários homens, os quais parecem ser todos da mesma família. Fiquei mais chocada ainda e desde aquele dia não consigo nem ver, nem ouvir falar nada sobre o assunto. Mesmo assim, aqui me encontro eu, escrevendo sobre isso. Para aliviar a tensão, eu acho. Porquê em momentos mais tranquilos aquelas cenas voltam a invadir minha mente. Sempre seguidas pela lembrança de um terceiro filme que assisti, este chamado Idiocracia, no qual o povo americano experimenta um emburrecimento extremo ao longo de vários anos. Parece que caminhamos todos para isso. Eu inclusive. Você, provavelmente, também. Assim como todos os nossos descendentes.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Hipócrita

Você, com sua máscara de boa pessoa.
Você sim, com essa camaradagem toda.
Você não me engana.
Andy, o Robô* é mais confiável que você.
Vou abrir meu terceiro olho
pra ficar com dois no gato e um no peixe.
Porque com você todo o cuidado é pouco.
Você mente, trai e engana.
Você julga, critica e peca.
Depois vai pedir perdão e um monte de outras coisas.
Pois saiba que vamos nos encontrar no quinto dos infernos
e que pra mim não será surpresa nenhuma te ver por lá.
Já pra você...
Há!


*Referência à obra de Stepehen King intitulada "A Torre Negra"

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Anos 2000

Aqueles dias tão cheios de poeira
Tão cheios de sangue e de mal-estar
Aqueles dias em que senti mais profundamente
a dor de amar
Foram dias de lágrimas sem fim
Vertidas dia após dia
Rolando pelo meu rosto, zombando de mim
Aqueles dias de feiúra
Onde tudo me parecia errado e podre
Mas que mesmo assim me fazem sentir
uma grande nostalgia
E uma tristeza muito bem definida
por tudo aquilo que me cercava
e por tudo o que eu sentia
Aqueles dias ainda me fazem querer chorar
Não de saudades, mas de tristeza mesmo
por mim e pelos meus
Que dias duros!
Aqueles dias me fazem pensar
Que daqui a dez anos,
quando me lembrar do dia de hoje
não sinta vontade de me jogar na cama e chorar
até ficar com o rosto inchado.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Elisa na nova cidade.

Marta. Ela era sua vida. Seu tudo. Às vezes discutiam, mas, oras... Todo casal discute. Em compensação, é como diz o ditado: depois da tempestade vem a bonança. E, de qualquer maneira, suas brigas duravam muito pouco. Se tinha uma coisa que elas faziam terrivelmente mal, era brigar. Sempre acabavam na cama, rindo e se amando.
As duas haviam se conhecido assim que Elisa chegara na cidade. Marta havia ido buscar uma amiga, que chegava para passar férias e Elisa havia ido até ela pedir informação sobre algum hotel em que pudesse instalar-se. Na verdade, poderia ter perguntado a alguém da rodoviária, mas Marta chamara sua atenção. Preta e baixinha, usava um black lindo e tinha o sorriso mais maravilhoso que Elisa já havia visto.
Naquele dia, as duas mais a miga de Marta se juntaram e foram beber e papear em um bar próximo do centro, não muito longe dali. Depois, estenderam para a casa de Marta, que morava sozinha. Ana, a amiga, foi dormir e as outras duas continuaram conversando pelo resto da noite. Acordaram horas depois do nascer do sol, Elisa com a cabeça embaixo da mesa de centro da sala e Marta ao seu lado. Estavam de mãos dadas.
Mais tarde, após mais conversas agradbilíssimas sobre diversos assuntos diversos, tomaram uma decisão: Elisa iria morar ali.. Ana, outros amigos e a família em peso de Marta acharam uma loucura. Todos protestaram, todos foram contra. Depois, quando já haviam tido tempo de conhecer bem Elisa, todos passaram a amá-la, embora ninguém chegasse nem perto de fazê-lo com a mesma intensidade que Marta.
Agora, dez anos depois, as duas haviam conseguido se casar e, para espanto de todos (inclusive delas mesmas) estavam em vias de adotar uma criança. Elisa nunca havia sido tão feliz como a partir do momento em que conhecera Marta.

Elisa resolve mudar-se.

Elisa agora pensava em ir embora. Deixar todo o pouco que tinha aqui e mudar de cidade. Ela estava perdida, confusa e insatisfeita e tinha consciência de que mudar de cidade não melhoraria sua situação, mas precisava fugir.
Tudo o que Elisa havia conquistado nos últimos tempos tinha um sabor amargo. E ela já não sentia ânimo pra nada. A mais, não tinha realmente ninguém. Sua família agora morava no norte do país, seus amigos... bem, eram apenas companheiros das noitadas que gostava de curtir. Elisa decidira ficar em sua cidade natal, mas ela realmente não lhe oferecia nada.
Dois dias depois, ela pediu demissão do serviço, fez as malas e foi até a Rodoviária. Perguntou qual era o próximo ônibus partindo para qualquer cidade que ficasse longe dali. A atendente lhe lançou um olhar de estranheza, mas respondeu assim mesmo. E lá se foi Elisa.