Andando à noite, sozinha
Sentindo a tristeza envolver minha alma
como se fossem os tentáculos de um polvo
Gostaria de explodir
em um milhão de pedacinhos de raiva pura
E que os meus estilhaços batessem nas paredes
com toda a força do ódio
Que as paredes e os muros e as coisas e as pessoas
E todo o mundo inteiro
Que tudo desabe apenas com a força
e o peso dos meus passos
Que nada sobre para contar a história
Nem eu.
segunda-feira, 12 de março de 2018
sábado, 10 de março de 2018
O nome da felicidade
Guardo na mente a sua face
Que bem unânimes meus olhos vêem bela
E me dá um tão grande prazer
Sonhar, ver, sorrir, voar e amar.
Beleza não põe a mesa
Mas a minha já está posta
Com café da manhã, almoço e janta.
O nome da felicidade é o seu.
Que bem unânimes meus olhos vêem bela
E me dá um tão grande prazer
Sonhar, ver, sorrir, voar e amar.
Beleza não põe a mesa
Mas a minha já está posta
Com café da manhã, almoço e janta.
O nome da felicidade é o seu.
A moça apaixonada
Denise estava quase pedindo a Deus, embora fosse atéia. Não se lembrava qual era a última vez em sua vida que havia desejado algo com tanta força, nem com tanta vontade. Ela havia se apaixonado.
Não era ainda amor o que Denise sentia, nem poderia ser, já que não sabia nada a respeito daquele homem, a não ser uma ou duas coisas de menor relevância.
Entretanto, desde sua adolescência que ela não sentia algo tão puro e nunca havia sentido nada tão leve, pois até mesmo seus amores de adolescente vinham acompanhados do peso da angústia de não saber se seria correspondida. Não que ela soubesse agora. Mas não saber se era desejada de volta não a fazia sofrer como em todas as outras vezes.
Ela o havia conhecido por acaso e jamais esperaria interessar-se por ele. Estava um pouco surpresa, na verdade, que houvesse acontecido. Estava surpresa por tudo, na realidade.
Ao pensar nele ou simplesmente ter um vislumbre da imagem dele em sua mente, a moça sentia seu coração disparar e bater de um jeito que se assemelhava ao bater das asas de um beija-flor, o que causava uma pressão em seu peito e a fazia sentir como se o coração fosse subir por sua garganta e pular pra fora da boca e começar a voar como uma borboleta que fosse apenas carregada pelo vento.
Frequentemente, Denise se pegava olhando para o nada, com um sorrisinho bobo e tinha vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. Às vezes, tinha vontade de gargalhar. Estava simplesmente tão feliz!
Ela não conseguia tirá-lo da cabeça. Em um momento qualquer, a todo momento, seu rosto vinha à mente. Denise se lembrava de seus olhos grandes, que carregavam um olhar que transmitia ao mesmo tempo firmeza e suavidade; um olhar que deixava claro que aquele era um homem seguro de si em confiante em si; lembrava-se de sua boca tão bem desenhada, cujos lábios pareciam estar sempre prestes a se abrir num sorriso que sempre a fazia esquecer até mesmo seu próprio nome, por um momento; lenbrava-se de sua risada, que tinha um som mais lindo do que a música mais linda que ela já ouvira; lembrava-se de seu corpo esguio e ágil... Ele nunca estava muito longe do centro de sua mente. Às vezes, parecia que se esticasse a mão, ele se materializaria bem ao seu alcance.
Denise nunca se sentira tão bem antes, ao se apaixonar. Nem acreditava que estava feliz assim. Nem entendia por que estava feliz assim. Só entendia que o queria pra si, mais que tudo, mais que todos. Precisava dele. Mas se não o tivesse, ainda assim poderia explodir de felicidade.
Denise se levantou e sorriu. Respirou fundo e viu a imagem dele mais uma vez em sua mente. Foi embora terminar seu turno e pensou que fosse como fosse, era assim que deveria sentir-se sempre: feliz.
Não era ainda amor o que Denise sentia, nem poderia ser, já que não sabia nada a respeito daquele homem, a não ser uma ou duas coisas de menor relevância.
Entretanto, desde sua adolescência que ela não sentia algo tão puro e nunca havia sentido nada tão leve, pois até mesmo seus amores de adolescente vinham acompanhados do peso da angústia de não saber se seria correspondida. Não que ela soubesse agora. Mas não saber se era desejada de volta não a fazia sofrer como em todas as outras vezes.
Ela o havia conhecido por acaso e jamais esperaria interessar-se por ele. Estava um pouco surpresa, na verdade, que houvesse acontecido. Estava surpresa por tudo, na realidade.
Ao pensar nele ou simplesmente ter um vislumbre da imagem dele em sua mente, a moça sentia seu coração disparar e bater de um jeito que se assemelhava ao bater das asas de um beija-flor, o que causava uma pressão em seu peito e a fazia sentir como se o coração fosse subir por sua garganta e pular pra fora da boca e começar a voar como uma borboleta que fosse apenas carregada pelo vento.
Frequentemente, Denise se pegava olhando para o nada, com um sorrisinho bobo e tinha vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. Às vezes, tinha vontade de gargalhar. Estava simplesmente tão feliz!
Ela não conseguia tirá-lo da cabeça. Em um momento qualquer, a todo momento, seu rosto vinha à mente. Denise se lembrava de seus olhos grandes, que carregavam um olhar que transmitia ao mesmo tempo firmeza e suavidade; um olhar que deixava claro que aquele era um homem seguro de si em confiante em si; lembrava-se de sua boca tão bem desenhada, cujos lábios pareciam estar sempre prestes a se abrir num sorriso que sempre a fazia esquecer até mesmo seu próprio nome, por um momento; lenbrava-se de sua risada, que tinha um som mais lindo do que a música mais linda que ela já ouvira; lembrava-se de seu corpo esguio e ágil... Ele nunca estava muito longe do centro de sua mente. Às vezes, parecia que se esticasse a mão, ele se materializaria bem ao seu alcance.
Denise nunca se sentira tão bem antes, ao se apaixonar. Nem acreditava que estava feliz assim. Nem entendia por que estava feliz assim. Só entendia que o queria pra si, mais que tudo, mais que todos. Precisava dele. Mas se não o tivesse, ainda assim poderia explodir de felicidade.
Denise se levantou e sorriu. Respirou fundo e viu a imagem dele mais uma vez em sua mente. Foi embora terminar seu turno e pensou que fosse como fosse, era assim que deveria sentir-se sempre: feliz.
segunda-feira, 5 de março de 2018
Sobre o medo
Uma das piores coisas que uma pessoa pode fazer consigo mesma é viver com medo. E eu tenho vivido com medo por muito tempo. De fato, tenho vivido assim a vida toda e esse medo tem sido meu monstro embaixo da cama.
Eu sinto medo das pessoas. Tenho medo do julgamento que vão fazer de mim. Sei que as pessoas julgam e aquelas que dizem que não, são as que mais julgam.
Tenho medo da reação que as pessoas possam ter quando eu não for, não fizer ou não disser o que elas esperam.
Tenho medo do que as pessoas vão sentir em relação a mim e do que vão pensar de mim se eu deixar a desejar.
Tenho medo de dar o passo errado e acabar caindo em algum buraco. Tenho medo de dar o passo certo, mas descobrir que não era o certo para mim.
Tenho medo de me casar e de ter filhos. Tenho medo de me apaixonar novamente e tenho medo de ser correspondida.
Tenho medo de ser eu mesma.
Eu tenho tanto medo que sinto vontade de gritar. Tanto medo, que às vezes sinto dores físicas pela tensão mental que se reflete no meu corpo em forma de tensão muscular.
Eu tenho medo de explodir de tanto medo.
Mas não é justo. Eu não estou sendo justa comigo mesma, sei disso.
Mas agora chega. É hora de dar um basta nisso. Decidi que, de hoje em diante, vou combater essa condição que tanto mal tem me feito. Vou respirar fundo, estufar o peito e me encher de coragem, ou pelo menos me esvaziar do medo máximo possível.
Eu sinto medo das pessoas. Tenho medo do julgamento que vão fazer de mim. Sei que as pessoas julgam e aquelas que dizem que não, são as que mais julgam.
Tenho medo da reação que as pessoas possam ter quando eu não for, não fizer ou não disser o que elas esperam.
Tenho medo do que as pessoas vão sentir em relação a mim e do que vão pensar de mim se eu deixar a desejar.
Tenho medo de dar o passo errado e acabar caindo em algum buraco. Tenho medo de dar o passo certo, mas descobrir que não era o certo para mim.
Tenho medo de me casar e de ter filhos. Tenho medo de me apaixonar novamente e tenho medo de ser correspondida.
Tenho medo de ser eu mesma.
Eu tenho tanto medo que sinto vontade de gritar. Tanto medo, que às vezes sinto dores físicas pela tensão mental que se reflete no meu corpo em forma de tensão muscular.
Eu tenho medo de explodir de tanto medo.
Mas não é justo. Eu não estou sendo justa comigo mesma, sei disso.
Mas agora chega. É hora de dar um basta nisso. Decidi que, de hoje em diante, vou combater essa condição que tanto mal tem me feito. Vou respirar fundo, estufar o peito e me encher de coragem, ou pelo menos me esvaziar do medo máximo possível.
Reticências
Existem dias na vida em que nos sentimos mal por tantos motivos que nem podemos explicar por quê estamos assim, caso alguém pergunte. E este é um desses dias.
A parte estranha deste dia é que não passei o tempo todo abatida, como muito frequentemente acontece quando estou na TPM, por exemplo. Foi um dia de altos e baixos, durante o qual eu ri, brinquei, conversei, porém no fundo sempre tinha uma sombra escurecendo um pouco todos esses momentos agradáveis.
Este dia não aconteceu de repente. Ele é só mais um dia estranho entre tantos outros que tenho vivido ultimamente. E por ultimamente, quero dizer todos os dias e anos da minha vida dos quais consigo recordar com certa clareza.
Porém está ficando pior.
Passei por um longo período de reclusão quase total, onde praticamente só saía de casa para trabalhar.
No começo foi duro. Eu estava acostumada a ter uma vida bastante agitada, trabalhava muito, mas também saía muito para me divertir em bares, baladas, casas de amigos ou na rua mesmo. O importante era sair de casa, de resto não tinha tempo ruim.
Até que meu último relacionamento terminou e eu me vi num limbo da minha própria vida. Já nada nem ninguém me dizia respeito, nada nem ninguém tinha nada a ver comigo, eu já não sabia quem era, só sabia que não era mais aquela que eu estava acostumada a ser. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Decidi que precisava passar um tempo sozinha.
E o tempo passou.
Me acostumei a estar sozinha de uma tal forma que comecei a acreditar que gostava daquilo. Dizia isso para todas as pessoas do meu convívio (a saber: minha família e colegas de trabalho) e não estava mentindo. Na minha cabeça, aquilo era verdade. Me trancava no quarto com meu notebook e meu celular, desligava minha mente de tudo e ficava parada na frente das telas com a boca aberta e a cabeça vazia. Já posso ver que era uma forma de fugir da realidade e tenho que ser sincera: ainda faço isso, apenas não com tanta frequência nem por tanto tempo, mas faço.
Enfim.
O tempo passou e, em algum lugar bem lá no fundo, algo começou a se mexer. Foi mais ou menos como quando a gente dorme demais e acorda lentamente e sentindo alguma confusão (quem sou/onde estou).
Aos poucos, fui me dando conta daquilo em que a minha vida tinha se transformado.
Não era nada demais, se comparado aos problemas de outras pessoas ao redor do mundo. Mas eu vivo principalmente no meu mundo, e no meu mundo, aquela visão era assustadora, pior que qualquer pesadelo. Pior do que Aquele Dia Há Pouco Mais de Sete Anos Atrás, como eu chamo. Aliás, este foi o dia em que eu não senti nada e foi o pior dia da minha vida. Mas já passou, então vamos focar no que interessa porque é o que está acontecendo agora.
Quando olhei para aquilo em que minha vida tinha se transformado, levei um choque. Era e ainda é um pouco difícil entender como aquela vida tinha se transformado nesta vida. Foi e é difícil entender a dimensão da solidão em que me encontro, porque nunca estive tão sozinha. E, de todas as coisas, essa é a que mais me fere. Ter amigos e amores é essencial na vida de qualquer ser humano e comigo não é diferente. Porque sinto que tenho um monte de gente com quem falar, mas não há ninguém para me escutar.
Eu poderia pedir ajuda, inclusive profissional. Sei muito bem que o caos em que se encontra minha cabeça não é nada salutar. Mas também sei que será melhor pra mim mesma se conseguir resolver meus próprios problemas sozinha. Só que é tão difícil!
Porque todo o autocontrole que tenho tido ao longo da vida inteira e que é uma coisa monstruosa de tão cruel está começando a falhar. E saiba, não sou uma pessoa calma, nem paciente; apenas me inflijo doses enormes de autocontrole. Uso o autocontrole como um cilício, como um enforcador, me dilacero. Me causa muita dor. Por isso nunca perco as estribeiras. Não por tranquilidade. Não por paciência. Mas por autocontrole. E pela dor que ele causa.
Espero sincera e ansiosamente pelo dia em que vou poder olhar para trás e ver este dia como aquela pelinha solta que a gente puxa de uma vez só: dói e machuca, mas logo sara.
A parte estranha deste dia é que não passei o tempo todo abatida, como muito frequentemente acontece quando estou na TPM, por exemplo. Foi um dia de altos e baixos, durante o qual eu ri, brinquei, conversei, porém no fundo sempre tinha uma sombra escurecendo um pouco todos esses momentos agradáveis.
Este dia não aconteceu de repente. Ele é só mais um dia estranho entre tantos outros que tenho vivido ultimamente. E por ultimamente, quero dizer todos os dias e anos da minha vida dos quais consigo recordar com certa clareza.
Porém está ficando pior.
Passei por um longo período de reclusão quase total, onde praticamente só saía de casa para trabalhar.
No começo foi duro. Eu estava acostumada a ter uma vida bastante agitada, trabalhava muito, mas também saía muito para me divertir em bares, baladas, casas de amigos ou na rua mesmo. O importante era sair de casa, de resto não tinha tempo ruim.
Até que meu último relacionamento terminou e eu me vi num limbo da minha própria vida. Já nada nem ninguém me dizia respeito, nada nem ninguém tinha nada a ver comigo, eu já não sabia quem era, só sabia que não era mais aquela que eu estava acostumada a ser. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Decidi que precisava passar um tempo sozinha.
E o tempo passou.
Me acostumei a estar sozinha de uma tal forma que comecei a acreditar que gostava daquilo. Dizia isso para todas as pessoas do meu convívio (a saber: minha família e colegas de trabalho) e não estava mentindo. Na minha cabeça, aquilo era verdade. Me trancava no quarto com meu notebook e meu celular, desligava minha mente de tudo e ficava parada na frente das telas com a boca aberta e a cabeça vazia. Já posso ver que era uma forma de fugir da realidade e tenho que ser sincera: ainda faço isso, apenas não com tanta frequência nem por tanto tempo, mas faço.
Enfim.
O tempo passou e, em algum lugar bem lá no fundo, algo começou a se mexer. Foi mais ou menos como quando a gente dorme demais e acorda lentamente e sentindo alguma confusão (quem sou/onde estou).
Aos poucos, fui me dando conta daquilo em que a minha vida tinha se transformado.
Não era nada demais, se comparado aos problemas de outras pessoas ao redor do mundo. Mas eu vivo principalmente no meu mundo, e no meu mundo, aquela visão era assustadora, pior que qualquer pesadelo. Pior do que Aquele Dia Há Pouco Mais de Sete Anos Atrás, como eu chamo. Aliás, este foi o dia em que eu não senti nada e foi o pior dia da minha vida. Mas já passou, então vamos focar no que interessa porque é o que está acontecendo agora.
Quando olhei para aquilo em que minha vida tinha se transformado, levei um choque. Era e ainda é um pouco difícil entender como aquela vida tinha se transformado nesta vida. Foi e é difícil entender a dimensão da solidão em que me encontro, porque nunca estive tão sozinha. E, de todas as coisas, essa é a que mais me fere. Ter amigos e amores é essencial na vida de qualquer ser humano e comigo não é diferente. Porque sinto que tenho um monte de gente com quem falar, mas não há ninguém para me escutar.
Eu poderia pedir ajuda, inclusive profissional. Sei muito bem que o caos em que se encontra minha cabeça não é nada salutar. Mas também sei que será melhor pra mim mesma se conseguir resolver meus próprios problemas sozinha. Só que é tão difícil!
Porque todo o autocontrole que tenho tido ao longo da vida inteira e que é uma coisa monstruosa de tão cruel está começando a falhar. E saiba, não sou uma pessoa calma, nem paciente; apenas me inflijo doses enormes de autocontrole. Uso o autocontrole como um cilício, como um enforcador, me dilacero. Me causa muita dor. Por isso nunca perco as estribeiras. Não por tranquilidade. Não por paciência. Mas por autocontrole. E pela dor que ele causa.
Espero sincera e ansiosamente pelo dia em que vou poder olhar para trás e ver este dia como aquela pelinha solta que a gente puxa de uma vez só: dói e machuca, mas logo sara.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
O Inverno da Vida
Às vezes parece que a nossa vida é feita de estações. E quando estamos vivendo no verão da vida, é terrível ver o outono chegar porque, invariavelmente, o outono é sucedido pelo inverno. E o maior problema com isso é que as estações da vida não têm prazo de validade.
Ao longo do último ano todo tenho vivido principalmente no verão. Claro que, como é natural no verão, há alguns dias de chuva, mas mesmo nestes ainda podemos sentir calor.
Porém ultimamente tenho sentido o vento esfriar e o som das chuvas que têm caído já perderam aquela qualidade calmante e os dias são um pouco mais escuros e mais curtos. Já aquela sensação de urgência que nos põe em alerta contra o frio começa a se enraizar na terra fértil da minha mente imaginativa até demais.
Já os meus pensamentos se tornam um pouco mais obscuros e pesados e aquela sensação de estar sozinha e isolada em meio ao monte de gente que sempre me cerca luta para chegar à superfície do mar dos meus sentimentos e gelar as águas da praia onde tenho estado de férias durante todo esse longo verão.
Posso sentir a melancolia que precede o frio, enquanto vejo o sol se por um pouco antes da hora. Mas então ele ilumina o céu de uma maneira muito específica que só pode acontecer no verão e isso me faz lembrar de uma coisa muito importante.
O brilho alaranjado do sol poente de verão faz com que eu me dê conta de que, ao contrário do que acontece no mundo exterior, eu posso controlar as estações do meu mundo particular e isso me faz abrir um sorriso e trás uma lágrima de esperança e faz com que aquele mini-eu que está na praia se espreguice languidamente, deitando-se sobre a areia dessa praia que é só dela.
E então eu e ela fazemos um trato: não vamos permitir que o inverno volte. Pelo menos, não agora. Não por enquanto.
Agora é verão e vai continuar sendo até que a vinda do inverno seja inexorável. E este momento não é agora.
Ao longo do último ano todo tenho vivido principalmente no verão. Claro que, como é natural no verão, há alguns dias de chuva, mas mesmo nestes ainda podemos sentir calor.
Porém ultimamente tenho sentido o vento esfriar e o som das chuvas que têm caído já perderam aquela qualidade calmante e os dias são um pouco mais escuros e mais curtos. Já aquela sensação de urgência que nos põe em alerta contra o frio começa a se enraizar na terra fértil da minha mente imaginativa até demais.
Já os meus pensamentos se tornam um pouco mais obscuros e pesados e aquela sensação de estar sozinha e isolada em meio ao monte de gente que sempre me cerca luta para chegar à superfície do mar dos meus sentimentos e gelar as águas da praia onde tenho estado de férias durante todo esse longo verão.
Posso sentir a melancolia que precede o frio, enquanto vejo o sol se por um pouco antes da hora. Mas então ele ilumina o céu de uma maneira muito específica que só pode acontecer no verão e isso me faz lembrar de uma coisa muito importante.
O brilho alaranjado do sol poente de verão faz com que eu me dê conta de que, ao contrário do que acontece no mundo exterior, eu posso controlar as estações do meu mundo particular e isso me faz abrir um sorriso e trás uma lágrima de esperança e faz com que aquele mini-eu que está na praia se espreguice languidamente, deitando-se sobre a areia dessa praia que é só dela.
E então eu e ela fazemos um trato: não vamos permitir que o inverno volte. Pelo menos, não agora. Não por enquanto.
Agora é verão e vai continuar sendo até que a vinda do inverno seja inexorável. E este momento não é agora.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Lorena: entre dois amores
Lorena estava entre dois amores.
Um deles era doce, carinhoso, divertido, leve; o outro era mais selvagem, livre, determinado, carnal. Ela queria sinceramente aos dois e sabia que ambos a queriam. Porém, sabia também que somente poderia ficar com um e isso realmente partia seu coração. Lorena não se conformava com o ter que escolher.
De manhã ela saía de casa na expectativa de ver o primeiro deles e ia animada ao seu encontro, já sabendo que daria muitas risadas e se divertiria imenso, que seria mimada e paparicada como poucas.
Aos finais de semana, por conta de seus compromissos nesses dias, podia ver aquela fera apaixonada que mexia com ela e a tirava do eixo. Com ele, poderia dar por certo que seria desejada, farejada, caçada mesmo. Ele era como um leão e ela, sua presa.
Esses eram os dois homens de sua vida e ela amava um e estava apaixonada por outro e já vinha lidando com este impasse por alguns meses. Não havia tocado nem se permitido tocar por qualquer um e a expectativa a estava matando. Mesmo assim, ela tinha que confessar a si mesma que era divertido estar naquele lugar, naquela posição onde cada passo tinha que ser dado com o máximo de cuidado, pois era como um castelo de cartas e a mais leve brisa poria tudo o que ainda nem existia abaixo.
Lorena pedia conselhos às amigas e elas sempre diziam para que ela escolhesse, pois não seria direito ficar com os dois e ela acabaria sem nenhum. Mas ela simplesmente não podia. Não havia a menor possibilidade de abrir mão deste amor ou daquela paixão.
Havia ainda uma terceira opção, que era permanecer sozinha e, na realidade, Lorena achava que no seu caso seria o melhor. E, de fato, se nenhum dos dois estivesse interessado nela, esta seria sua escolha. Mas não era assim. Ela era amada com ternura e desejada com violência. Ela tinha tudo o que queria e, se fossem um, seria o melhor de dois mundos, mas eram dois. Eles eram dois e ela queria ser dos dois, sem poder ser de nenhum.
Lorena estava entre dois amores.
Ela estava entre dois amores e se via em uma encruzilhada, imóvel, sem saber pra onde ir.
E então, depois de muito pensar, analisar, raciocinar, sentir, Lorena decidiu: não ia escolher. Não podia. Ela seria dos dois e os dois seriam dela. Viveria seu amor de segunda a sexta e, aos sábados e domingos seria amada. E assim foi.
De manhã ela saía de casa na expectativa de ver o primeiro deles e ia animada ao seu encontro, já sabendo que daria muitas risadas e se divertiria imenso, que seria mimada e paparicada como poucas. E era. Sentia um carinho quase doloroso por ele e o beijava e abraçava, sorria e brincava e o fazia o homem mais feliz de todos. Ela o amava e dizia sempre isso e era sincera. E era feliz.
Aos finais de semana, por conta de seus compromissos nesses dias, podia ver aquela fera apaixonada que mexia com ela e a tirava do eixo. Com ele, poderia dar por certo que seria desejada, farejada, caçada mesmo. Ele era como um leão e ela, sua presa. Ele a tinha por entre suas garras e suas presas e a fazia em pedaços. Ele a atacava com fúria, seus abraços eram como barras de ferro, quando a beijava, comia sua boca.
E ela era feliz. Andava sobre pregos, mas era feliz e não trocaria sua vida por nada no mundo.
Lorena agora vivia dois amores.
Um deles era doce, carinhoso, divertido, leve; o outro era mais selvagem, livre, determinado, carnal. Ela queria sinceramente aos dois e sabia que ambos a queriam. Porém, sabia também que somente poderia ficar com um e isso realmente partia seu coração. Lorena não se conformava com o ter que escolher.
De manhã ela saía de casa na expectativa de ver o primeiro deles e ia animada ao seu encontro, já sabendo que daria muitas risadas e se divertiria imenso, que seria mimada e paparicada como poucas.
Aos finais de semana, por conta de seus compromissos nesses dias, podia ver aquela fera apaixonada que mexia com ela e a tirava do eixo. Com ele, poderia dar por certo que seria desejada, farejada, caçada mesmo. Ele era como um leão e ela, sua presa.
Esses eram os dois homens de sua vida e ela amava um e estava apaixonada por outro e já vinha lidando com este impasse por alguns meses. Não havia tocado nem se permitido tocar por qualquer um e a expectativa a estava matando. Mesmo assim, ela tinha que confessar a si mesma que era divertido estar naquele lugar, naquela posição onde cada passo tinha que ser dado com o máximo de cuidado, pois era como um castelo de cartas e a mais leve brisa poria tudo o que ainda nem existia abaixo.
Lorena pedia conselhos às amigas e elas sempre diziam para que ela escolhesse, pois não seria direito ficar com os dois e ela acabaria sem nenhum. Mas ela simplesmente não podia. Não havia a menor possibilidade de abrir mão deste amor ou daquela paixão.
Havia ainda uma terceira opção, que era permanecer sozinha e, na realidade, Lorena achava que no seu caso seria o melhor. E, de fato, se nenhum dos dois estivesse interessado nela, esta seria sua escolha. Mas não era assim. Ela era amada com ternura e desejada com violência. Ela tinha tudo o que queria e, se fossem um, seria o melhor de dois mundos, mas eram dois. Eles eram dois e ela queria ser dos dois, sem poder ser de nenhum.
Lorena estava entre dois amores.
Ela estava entre dois amores e se via em uma encruzilhada, imóvel, sem saber pra onde ir.
E então, depois de muito pensar, analisar, raciocinar, sentir, Lorena decidiu: não ia escolher. Não podia. Ela seria dos dois e os dois seriam dela. Viveria seu amor de segunda a sexta e, aos sábados e domingos seria amada. E assim foi.
De manhã ela saía de casa na expectativa de ver o primeiro deles e ia animada ao seu encontro, já sabendo que daria muitas risadas e se divertiria imenso, que seria mimada e paparicada como poucas. E era. Sentia um carinho quase doloroso por ele e o beijava e abraçava, sorria e brincava e o fazia o homem mais feliz de todos. Ela o amava e dizia sempre isso e era sincera. E era feliz.
Aos finais de semana, por conta de seus compromissos nesses dias, podia ver aquela fera apaixonada que mexia com ela e a tirava do eixo. Com ele, poderia dar por certo que seria desejada, farejada, caçada mesmo. Ele era como um leão e ela, sua presa. Ele a tinha por entre suas garras e suas presas e a fazia em pedaços. Ele a atacava com fúria, seus abraços eram como barras de ferro, quando a beijava, comia sua boca.
E ela era feliz. Andava sobre pregos, mas era feliz e não trocaria sua vida por nada no mundo.
Lorena agora vivia dois amores.
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