Quero alguém
Quero alguém pra ser meu companheiro de vida
pra eu não precisar andar sozinha por esta estrada
tão longa, tão bela,
porém tão cheia de obstáculos;
tão difícil...
Pra ter com quem dividir minhas alegrias
pra ter com quem dividir minhas lágrimas.
Pra ter um amigo,
um parceiro,
um amante.
Pra dar o melhor de mim
e sorrir os meus sorrisos mais bonitos
e mais felizes.
Pra brigar e pra brincar
pra dormir e acordar
pra viver reclamando
e morrer de amor.
Pra ser eu e estar nele
e ele ser uma nova pessoa em mim...
Pra ver a luz de seus olhos
e estar na sombra de seu olhar.
Quero alguém pra me encantar
e a quem eu possa fascinar.
Quero alguém assim
e por ele vou esperar.
sábado, 7 de abril de 2018
segunda-feira, 26 de março de 2018
Sobre objetividade
Esses dias ouvi de uma pessoa do meu convívio que me falta objetividade. Isto não me foi dito como uma grosseria, mas sim como uma dica e estava relacionada a uma situação bem específica. E, assim que foi dito, senti como se tivessem acendido um interruptor na minha mente. Porque era isso o que estava faltando. Era nisto que eu estava errando. Porque a minha vida sempre parecia voltar para o mesmo ponto, que era o ponto morto. E eu estava andando em círculos.
Mas a partir do momento em que ouvi aquela palavra, dita daquela forma, eu entendi tudo. E agora já posso parar de andar em círculos, e entrar em um caminho linear, cuja única direção possível é para a frente.
Mas a partir do momento em que ouvi aquela palavra, dita daquela forma, eu entendi tudo. E agora já posso parar de andar em círculos, e entrar em um caminho linear, cuja única direção possível é para a frente.
domingo, 18 de março de 2018
Pensamentos avulsos III
...às vezes parece que ainda não comecei a viver minha vida. como se estivesse esperando por alguma coisa, como se esperasse algo acontecer para então dar início a... o que? não saberia dizer exatamente como ou o que é uma vida que já começou. só sei que a minha já está correndo, mas ao mesmo tempo é como se estivesse parada. vejo todos passando por mim, vejo o tempo passar, vejo um desfile de coisas, de assuntos, de tendências do momento, que mudam a todo momento, claro. mas quando se trata de minha própria vida, vejo apenas um caminho pavimentado e tudo em torno é muito escuro, apenas este caminho de cimento, duro, áspero, longo, quase como se fosse interminável e que é perfeitamente visível. de resto, tudo um breu. isso me assusta um pouco. e se...? e se no fim eu estiver só, se não houver ao meu redor ninguém que eu conheça, ninguém que eu ame ou amei e que me ame de volta? porque no fim das contas tudo se resume a isso: aqueles que te amam. não, não é bem isso. ou é? bem, tenho a sensação de que o mundo é muito grande e eu, muito pequena. tenho a sensação de que se morrer sem ninguém, terei fracassado na vida e este será o pior dos fracassos. afinal, se você falha em algo, pelo menos você tentou e sempre vai ter alguém pra te dizer isso com toda a sinceridade e pra te apoiar e te consolar. mas se você não tem ninguém... se você não tem ninguém, a vida é como um abismo e você só vai caindo, caindo... e quando chegar lá embaixo não morrerá, mas encontrará uma solidão terrível e será tudo muito escuro e muito assustador e você será pequeno, pequeno... e as únicas coisas que haverá ao seu redor serão seus medos e não haverá ninguém para te proteger deles, para dizer que foi tudo um pesadelo e vai ficar tudo bem, é só um sonho ruim, volte a dormir e sonhe com os anjos... não, definitivamente não haverá ninguém e nada além dos seus medos. e você estará sozinho com eles, lutará sozinho contra eles e, mesmo que vença, sua vitória terá um gosto amargo, terrível, porque você não terá com quem compartilhar. por isso, trate de não estar sozinho e trate de não passar muito tempo dentro desta cabecinha porque sempre tem uma Paloma à espera do menor erro, da menor brecha, para escapar de sua cela e te dar o dia perfeito.
sexta-feira, 16 de março de 2018
Amar a quem
Ser um ser apaixonado
E não ter a quem oferecer
E ver o riso virar lágrimas
Lágrimas que às vezes doem
E às vezes aliviam
Amar e não ter a quem
E querer rasgar o peito
E gritar
E cantar
Sofrer sem querer
Estar aberto
Ante uma porta fechada
E cegar
E calar
Por não ter a quem ver
E falar:
Eu te amo!
E não ter a quem oferecer
E ver o riso virar lágrimas
Lágrimas que às vezes doem
E às vezes aliviam
Amar e não ter a quem
E querer rasgar o peito
E gritar
E cantar
Sofrer sem querer
Estar aberto
Ante uma porta fechada
E cegar
E calar
Por não ter a quem ver
E falar:
Eu te amo!
quinta-feira, 15 de março de 2018
No calor do momento
Não sei se é o calor que me derrete
Ou se eu é que me derreto por você
Mas tudo se mistura
O doce com salgado
Áspero e suave
E nos meus lábios
O gosto que devem ter os seus
E a malícia inocente
Que devem ter seus beijos
Imagino eu...
Ou se eu é que me derreto por você
Mas tudo se mistura
O doce com salgado
Áspero e suave
E nos meus lábios
O gosto que devem ter os seus
E a malícia inocente
Que devem ter seus beijos
Imagino eu...
segunda-feira, 12 de março de 2018
O Monstro
O monstro estava parado com o olhar fixo. Ele tinha os olhos vermelhos de raiva e de dor. Era um monstro muito perigoso. Seus olhos eram fundos e traziam enormes olheiras roxas, escuras, profundas. Os ossos malares eram pronunciados e as faces, chupadas. Sua pele, contudo, era surpreendentemente bronzeada e de aspecto vivo e saudável. E, de fato, aquele monstro estava vivo e prestes a despertar.
Sua figura estava quase completamente imóvel, exceto pelo subir e descer de seu peito magro e ossudo, adornado por pequenos seios redondos, enquanto respirava. A cada vez que inalava o ar, seus olhos e olheiras pareciam escurecer mais um pouco e sua fisionomia adquiria um quê cada vez mais acentuado de crueldade. O monstro era feito de maldade pura. Ele era feito de tudo de ruim que havia.
O monstro sentia ódio. Era disso que ele se alimentava, também. E a dor de mil feridas abertas e sangrando não o permitia pensar em outra coisa. O monstro estava acorrentado e isso só provocava mais ódio. Mas enquanto acordava, ele puxava suas correntes e, assim, elas estavam quase arrebentando. Faltava pouco, agora... E seu carcereiro seria um brinquedo em suas garras afiadas e alimento em suas presas famintas. Ele iria sair dali e todos que se pusessem em seu caminho seriam esmagados sob seus pés, com toda a força de sua fúria. Ele era um monstro.
Mas então uma luz se acendeu, atrapalhando sua visão mais acostumada ao escuro e a porta da cela se abriu. Um anjo entrou.
O anjo trazia correntes em suas mãos, correntes novas, brilhantes, fortes. O monstro começou a se debater, pois percebeu que seria mantido preso, e suas correntes antigas se soltaram das paredes e ele avançou sobre o anjo de luz. Mas o anjo espalhou aquela claridade brilhante em frente ao monstro como se fosse uma barreira, uma que ele não conseguiria ultrapassar. O monstro bateu na barreira e foi jogado para o fundo de sua cela, onde o anjo o aprisionou em suas novas correntes e o subjugou e, com um toque em sua testa, o fez cair desacordado.
Neste momento, Paloma deu por si parada em frente ao espelho, com um olhar que nunca havia visto antes em seu próprio rosto e a boca retorcida em um sorriso maldoso e sarcástico. Ela estremeceu, secou as lágrimas que escorreram sem que houvesse percebido e saiu dali. "Estou muito cansada, pensou, melhor começar a dormir mais cedo."
Assim, Paloma partiu para iniciar mais um dia de trabalho, sem perceber o monstro de olhar louco e sorriso maldoso e sarcástico que ficara a observá-la do espelho...
Sua figura estava quase completamente imóvel, exceto pelo subir e descer de seu peito magro e ossudo, adornado por pequenos seios redondos, enquanto respirava. A cada vez que inalava o ar, seus olhos e olheiras pareciam escurecer mais um pouco e sua fisionomia adquiria um quê cada vez mais acentuado de crueldade. O monstro era feito de maldade pura. Ele era feito de tudo de ruim que havia.
O monstro sentia ódio. Era disso que ele se alimentava, também. E a dor de mil feridas abertas e sangrando não o permitia pensar em outra coisa. O monstro estava acorrentado e isso só provocava mais ódio. Mas enquanto acordava, ele puxava suas correntes e, assim, elas estavam quase arrebentando. Faltava pouco, agora... E seu carcereiro seria um brinquedo em suas garras afiadas e alimento em suas presas famintas. Ele iria sair dali e todos que se pusessem em seu caminho seriam esmagados sob seus pés, com toda a força de sua fúria. Ele era um monstro.
Mas então uma luz se acendeu, atrapalhando sua visão mais acostumada ao escuro e a porta da cela se abriu. Um anjo entrou.
O anjo trazia correntes em suas mãos, correntes novas, brilhantes, fortes. O monstro começou a se debater, pois percebeu que seria mantido preso, e suas correntes antigas se soltaram das paredes e ele avançou sobre o anjo de luz. Mas o anjo espalhou aquela claridade brilhante em frente ao monstro como se fosse uma barreira, uma que ele não conseguiria ultrapassar. O monstro bateu na barreira e foi jogado para o fundo de sua cela, onde o anjo o aprisionou em suas novas correntes e o subjugou e, com um toque em sua testa, o fez cair desacordado.
Neste momento, Paloma deu por si parada em frente ao espelho, com um olhar que nunca havia visto antes em seu próprio rosto e a boca retorcida em um sorriso maldoso e sarcástico. Ela estremeceu, secou as lágrimas que escorreram sem que houvesse percebido e saiu dali. "Estou muito cansada, pensou, melhor começar a dormir mais cedo."
Assim, Paloma partiu para iniciar mais um dia de trabalho, sem perceber o monstro de olhar louco e sorriso maldoso e sarcástico que ficara a observá-la do espelho...
Momento crepuscular
Andando à noite, sozinha
Sentindo a tristeza envolver minha alma
como se fossem os tentáculos de um polvo
Gostaria de explodir
em um milhão de pedacinhos de raiva pura
E que os meus estilhaços batessem nas paredes
com toda a força do ódio
Que as paredes e os muros e as coisas e as pessoas
E todo o mundo inteiro
Que tudo desabe apenas com a força
e o peso dos meus passos
Que nada sobre para contar a história
Nem eu.
Sentindo a tristeza envolver minha alma
como se fossem os tentáculos de um polvo
Gostaria de explodir
em um milhão de pedacinhos de raiva pura
E que os meus estilhaços batessem nas paredes
com toda a força do ódio
Que as paredes e os muros e as coisas e as pessoas
E todo o mundo inteiro
Que tudo desabe apenas com a força
e o peso dos meus passos
Que nada sobre para contar a história
Nem eu.
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