Aconteceu de novo. Foi a segunda vez este ano. É até engraçado e eu fico me perguntando como pode exatamente a mesma coisa acontecer com a mesma pessoa, duas vezes no mesmo ano, se a vida toda eu ouvi que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
O que aconteceu foi o seguinte: um homem se interessou por mim. Mas aparentemente queria só sexo. Até aí, tudo bem. Digo que tudo bem porque às vezes as pessoas só querem isso mesmo, o que é péssimo, mas é um direito delas e também porque sei que os homens são mais visuais e o fato de se interessarem sexualmente por uma mulher primeiro não significa que depois não possam vir a se interessar pela pessoa dela. Então, até aí, tudo bem. O problema é que assim que viu que não ia conseguir o que queria, simplesmente, imediatamente, entrou em um relacionamento com outra mulher. Eu não tive nem chance de me dar a conhecer. E foram duas vezes. Eles já tinham outras mulheres em suas vidas a quem conheciam e amavam (ou nem tanto) e só queriam mesmo satisfazer seu desejo de estar com uma mulher que é magra, pequena, mas tem uma bunda grande, porque foi isso o que aconteceu. Tenho mesmo uma bunda desproporcional ao meu corpo e foi só isso o que eles viram. Ridículo, eu sei. Mas doloroso.
Da primeira vez, parecia que eu estava sendo esmagada, apertada de todos os lados, a dor que senti foi excruciante, perdi até o fôlego. Foi horrível; da segunda vez, já estava um pouco ressabiada, meio desconfiada, mas ainda assim curiosa. E esta foi rápida. Da primeira vez, o homem em questão ficou cerca de três meses no meu pé, insistindo, mas toda vez que me chamava para sair, era da minha casa para a dele. Desta segunda vez, ele não me chamou para ir à casa dele, ou a qualquer lugar, mas em questão de uma semana desistiu e pediu a outra em namoro. Ah! E um detalhe: o primeiro pediu a outra em casamento. Por isso também foi pior da primeira vez, porque ele já tinha um relacionamento bastante sério.
Esta segunda vez, não doeu tanto, mas eu senti que o chão tinha sumido de debaixo dos meus pés. Sei que esta é uma expressão bastante batida e eu mesma sempre a achei muito dramática, mas foi exatamente o que eu senti: que o chão tinha sumido e eu estava caindo, caindo... E não tinha ninguém para me pegar e não tinha solo para parar minha queda e eu ia ficar só caindo para sempre, com aquele vento passando pelos meus ouvidos e aquela velocidade e eu novamente sem fôlego. Eu estava no ônibus e pensei: "Não vou chorar!", enquanto as lágrima já estavam se formando, mas eu respirei fundo, olhei para cima e fiz elas voltarem para trás, mas assim que baixei a cabeça novamente, elas retornaram e eu fiquei tentando não chorar, pensando que eu já tinha passado por aquilo e que eu já estava mesmo desconfiada e que eu deveria ser mais forte do que isso, porque chorar não ia resolver nada... Mas assim que cheguei em casa, apenas tive tempo para abrir meu quarto e tirar a bolsa do ombro. E chorei. Chorei e ri ao mesmo tempo, porque era tudo muito ridículo e as lágrimas iam caindo, eu pensava que meu rímel estava escorrendo e eu devia estar com uma cara horrível e eu ria e ria e chorava... E senti tudo: tristeza, raiva, um pouco de alívio por saber que, por mais horrível que fosse, eu não tinha mais motivo para desconfiar porque agora tinha certeza. E ri e chorei. No fim, meus olhos estavam pretos, minha cara desfigurada de inchaço, minha vontade (de viver ou de qualquer coisa), desaparecida. Liguei o notebook e fiquei horas na frente dele, vendo um vídeo atrás do outro no YouTube, me esforçando para não pensar. Cheguei em casa às dez da noite e só fui conseguir dormir mais de três horas da manhã.
Quando acordei, já era quase meio dia, eu me lembrei imediatamente do que tinha acontecido e quis chorar novamente. Mas também quis fazer outras coisas. Fiquei agradavelmente surpresa ao perceber que minha vontade tinha voltado e minha esperança não tinha morrido e eu já estava pensando em maneiras de sair dessa minha solidão terrível. Quero calçar um tênis e por uma roupa confortável e ir andar até minhas pernas tremerem; depois vou sentar e tomar uma água de côco e talvez depois ande mais um pouco. E minha esperança é que alguém, conhecido ou desconhecido, me veja e me chame para conversar, que eu possa hoje começar uma nova amizade, ou um novo relacionamento, pois eu não desisto, não deixo de ter esperança, sou assim. Não quero sofrer e com certeza não quero mais chorar. Quero ficar bem. Quero lutar por mim e vencer. E vou. Vou porque quero e, quando quero, ninguém me segura! Por isso, vou. Fui!
domingo, 26 de agosto de 2018
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Aqui dentro
Solidão é ter tanta gente ao seu redor, mas ninguém perto de você.
A vida é como um belo jardim ao alcance da sua visão, porém a um abismo de distância, e não há ponte...
Felicidade é um arco-íris e suas cores são vibrantes, mas você é daltônico.
Os dias foram curtos e a noite já dura demais. E é dura demais. E escura demais.
E a estrada é íngreme e tão longa que parece nunca acabar...
A vida é como um belo jardim ao alcance da sua visão, porém a um abismo de distância, e não há ponte...
Felicidade é um arco-íris e suas cores são vibrantes, mas você é daltônico.
Os dias foram curtos e a noite já dura demais. E é dura demais. E escura demais.
E a estrada é íngreme e tão longa que parece nunca acabar...
sábado, 16 de junho de 2018
O que é o amor
Estes arroubos de paixão
Que me inquietam a alma
Que me fazem vibrar e,
principalmente,
sofrer.
Estes arroubos sôfregos
são como uma febre,
mas uma febre incurável, letal;
uma febre que mata
pois faz sangrar o coração:
hemorragia inestancável.
E não há alegria na paixão,
apenas angústia e urgência
e uma certa violência.
A paixão não é como o amor.
O amor é sereno:
cuida sem sufocar
e protege sem adular;
não é vermelho,
pois não é quente,
nem nos queima:
o amor é morno
e nos aquece.
O amor é verde,
pois não sobrecarrega
o coração:
antes, refresca a alma,
é leve e nos acalenta a vida.
E, enquanto para a paixão
não há torniquete ou remédio
que funcione,
para o amor nada disso é necessário:
o amor é uma droga que vicia sem enfraquecer,
fortifica os laços e alimenta a esperança.
O amor é tudo o que a paixão não é
e jamais poderá ser:
o amor sou eu,
sorrindo pra você.
Vida.
Que me inquietam a alma
Que me fazem vibrar e,
principalmente,
sofrer.
Estes arroubos sôfregos
são como uma febre,
mas uma febre incurável, letal;
uma febre que mata
pois faz sangrar o coração:
hemorragia inestancável.
E não há alegria na paixão,
apenas angústia e urgência
e uma certa violência.
A paixão não é como o amor.
O amor é sereno:
cuida sem sufocar
e protege sem adular;
não é vermelho,
pois não é quente,
nem nos queima:
o amor é morno
e nos aquece.
O amor é verde,
pois não sobrecarrega
o coração:
antes, refresca a alma,
é leve e nos acalenta a vida.
E, enquanto para a paixão
não há torniquete ou remédio
que funcione,
para o amor nada disso é necessário:
o amor é uma droga que vicia sem enfraquecer,
fortifica os laços e alimenta a esperança.
O amor é tudo o que a paixão não é
e jamais poderá ser:
o amor sou eu,
sorrindo pra você.
Vida.
terça-feira, 15 de maio de 2018
O que vejo atrás de meus olhos I
Ele me olha, chega mais perto e sorri. Com uma mão, levanta meu queixo e com a outra, envolve minha cintura. Um passo dele para a frente me faz involuntariamente dar um para trás, de forma que dois ou três passos depois, estou com as costas na parede; já não havia mais escapatória. Não que eu quisesse escapar, apenas o pudor me fez andar para longe dele, embora ficasse feliz em saber que ele não se afastaria. Ao chegarmos então à parede, ele deu um último passo em minha direção, o que fez com que nossos corpos ficassem completamente colados um ao outro. Deu então meio passo para trás, apenas o suficiente para que conseguisse aproximar de mim, que era cerca de quinze centímetros mais baixa, o seu belo rosto. Olhou- me nos olhos e então baixou o olhar para a minha boca. Respirou fundo, apertou- me mais em seus braços e me beijou com uma paixão que eu jamais havia sentido antes em homem algum, e jamais tornaria a sentir. Ele agora era meu e eu, dele. E, juntos, éramos um só.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Pensamentos Avulsos IV
Não quero nem pensar em nada. Nem quero ver nada, nem ouvir nada. Porque pensar, ver e ouvir são coisas que fazem a gente sentir e nem sempre o que se sente é bom. O que sinto agora, por exemplo, é quase tão ruim quanto não sentir nada. É solidão, é ciúme, é ansiedade, é frustração, é tudo junto. É o medo do tempo; o tempo já bem próximo e o tempo ainda vindouro. O que sinto agora é também o peso do tempo que já vivi; o que sinto agora é desejo, porém um desejo tresloucado de algo que nunca acontecerá. O que sinto agora é raiva e também impotência. Sinto tanto, mas tanto, que fiquei paralisada. Os olhos de olhar ausente eram a única coisa que se movia em mim. Porém o que eles viam era apenas uma ilusão, provocada por uma esperança vã.
O que os meus olhos viam era a imagem de uma vida que nunca terei: uma vida de paz de espírito, de amor romântico, ainda que real, de alegria de viver, de força e resistência. O que os meus olhos viam em minha ausência, era algo que nunca verão em minha presença, pois minha presença por si só é o que torna vã minha esperança.
Por isso, procuro me resignar à vida que me espera. Respiro fundo e mantenho a aparência de calma, mesmo que por dentro esteja queimando em um incêndio terrível de proporções apocalípticas. Exagero, eu sei. Mas é como me sinto: sou feita de fogo e queimo até a última camada de mim mesma. E queimarei também todos que se aproximarem demais. Melhor então queimar sozinha!
O que os meus olhos viam era a imagem de uma vida que nunca terei: uma vida de paz de espírito, de amor romântico, ainda que real, de alegria de viver, de força e resistência. O que os meus olhos viam em minha ausência, era algo que nunca verão em minha presença, pois minha presença por si só é o que torna vã minha esperança.
Por isso, procuro me resignar à vida que me espera. Respiro fundo e mantenho a aparência de calma, mesmo que por dentro esteja queimando em um incêndio terrível de proporções apocalípticas. Exagero, eu sei. Mas é como me sinto: sou feita de fogo e queimo até a última camada de mim mesma. E queimarei também todos que se aproximarem demais. Melhor então queimar sozinha!
sábado, 14 de abril de 2018
Olhos de jabuticaba
Ele tem um par de olhos grandes e escuros, como duas jabuticabas. Sempre noto isso primeiro. E então vejo aquele sorriso sempre prestes a acontecer, quase ali...
Seu rosto é a última imagem que vejo atrás de minhas pálpebras fechadas antes de dormir e seu nome, o último pensamento lúcido que tenho.
Ao acordar, novamente me vêm a cabeça seu rosto e seu nome, com tanta força que quase posso sentir o calor de seu corpo e o som de sua respiração ao meu lado na cama; e minha mente ainda confusa ao despertar se espanta um pouco de que ele não esteja realmente aqui. Ele reina absoluto em meus pensamentos; a lembrança de sua pessoa me acompanha ao longo dos dias e das noites. Às vezes penso que estou perturbada, perdida... E de fato estou. Mas não me incomodo por isso. Sempre que o vejo, penso, ou lembro dele, é com muita ternura e alegria. E assim vou levando os dias até que os dias o levem de minha mente ou o consolidem aqui por muito, muito tempo.
Seu rosto é a última imagem que vejo atrás de minhas pálpebras fechadas antes de dormir e seu nome, o último pensamento lúcido que tenho.
Ao acordar, novamente me vêm a cabeça seu rosto e seu nome, com tanta força que quase posso sentir o calor de seu corpo e o som de sua respiração ao meu lado na cama; e minha mente ainda confusa ao despertar se espanta um pouco de que ele não esteja realmente aqui. Ele reina absoluto em meus pensamentos; a lembrança de sua pessoa me acompanha ao longo dos dias e das noites. Às vezes penso que estou perturbada, perdida... E de fato estou. Mas não me incomodo por isso. Sempre que o vejo, penso, ou lembro dele, é com muita ternura e alegria. E assim vou levando os dias até que os dias o levem de minha mente ou o consolidem aqui por muito, muito tempo.
sábado, 7 de abril de 2018
Intento de rendição
Quero alguém
Quero alguém pra ser meu companheiro de vida
pra eu não precisar andar sozinha por esta estrada
tão longa, tão bela,
porém tão cheia de obstáculos;
tão difícil...
Pra ter com quem dividir minhas alegrias
pra ter com quem dividir minhas lágrimas.
Pra ter um amigo,
um parceiro,
um amante.
Pra dar o melhor de mim
e sorrir os meus sorrisos mais bonitos
e mais felizes.
Pra brigar e pra brincar
pra dormir e acordar
pra viver reclamando
e morrer de amor.
Pra ser eu e estar nele
e ele ser uma nova pessoa em mim...
Pra ver a luz de seus olhos
e estar na sombra de seu olhar.
Quero alguém pra me encantar
e a quem eu possa fascinar.
Quero alguém assim
e por ele vou esperar.
Quero alguém pra ser meu companheiro de vida
pra eu não precisar andar sozinha por esta estrada
tão longa, tão bela,
porém tão cheia de obstáculos;
tão difícil...
Pra ter com quem dividir minhas alegrias
pra ter com quem dividir minhas lágrimas.
Pra ter um amigo,
um parceiro,
um amante.
Pra dar o melhor de mim
e sorrir os meus sorrisos mais bonitos
e mais felizes.
Pra brigar e pra brincar
pra dormir e acordar
pra viver reclamando
e morrer de amor.
Pra ser eu e estar nele
e ele ser uma nova pessoa em mim...
Pra ver a luz de seus olhos
e estar na sombra de seu olhar.
Quero alguém pra me encantar
e a quem eu possa fascinar.
Quero alguém assim
e por ele vou esperar.
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