Não sou a favor da pena de morte. Também não sou a favor de justiceiros. Se cada um resolver fazer justiça com as próprias mãos, logo não sobrará ninguém para contar a história, além do fato de que todos nos tornaríamos assassinos, portanto, criminosos. Por outro lado, essa história de que fulano é vitima do sistema e ciclano é só um pobre coitado que não tinha escolha também não cola. Todo mundo tem escolha. Eu digo isso porque conheço gente que já passou por poucas e boas, já viveu na miséria, sofreu com a violência desde pequeno, foi obrigado a fazer trabalho pesado numa idade em que a única obrigação de uma pessoa deveria ser com os estudos, enfim, gente que sempre teve uma vida duríssima. Essas pessoas poderiam ter se tornado criminosos. Poderiam ter resolvido roubar o que outros se sacrificaram tanto para ter, fosse um carro, dinheiro ou uma vida tranquila.
No entanto, essas pessoas optaram por um outro tipo de vida. Uma vida onde ainda teriam que trabalhar muito e que já sabiam que não seria fácil. Mas também seria uma vida onde viveriam da maneira mais honesta possível, sem tirar nada de ninguém; onde tudo que teriam seria fruto de seu próprio esforço. Além disso, se eles não sabiam na época a essa altura já perceberam que essa foi a melhor opção não apenas para eles, como também para seus filhos, os quais têm tido uma vida bem melhor do que a dos pais. Essas pessoas nunca se tornaram (e provavelmente nunca se tornarão) ricas, mas têm a tranquilidade de se deitar à noite sabendo que fizeram a coisa certa. Todo o progresso que essas pessoas fizeram foi por mérito próprio, porque elas se esforçaram para chegar onde estão. Todos continuam trabalhando muito e ninguém tem "vida fácil". Porém suas vidas são muito melhores do que seriam se tivessem ido pelo outro caminho. Sem contar o exemplo que dão a seus filhos de como, não importa o que aconteça, nós sempre temos opção e que a melhor opção é ser honesto. Essas pessoas são a minha família e eu me orgulho muito deles, assim como me sinto feliz por ter tido a sorte de ser criada por eles.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Estamos caminhando para uma idiocracia
Ando frustrada. Até mesmo triste. Tenho visto as pessoas se entreterem com as coisas mais bizarras da natureza (e da maldade) humana. Claro que sempre houve este tipo de "diversão". Mas tô meio chocada. Talvez eu seja ingênua, só isso. Talvez eu tenha um caso sério de estômago fraco, apesar de ter sempre pensado o contrário. Só não consigo entender como coisas como aquele filme chamado Centopéia Humana podem ser consideradas uma forma de diversão. Nem consigo entender, tampouco, o que tem na cabeça de quem resolveu fazer aquilo. Quase botei os bofes pra fora e ainda me encontro num estado de perturbação. E olha que nem mesmo assisti ao filme todo. Ainda por cima, poucos dias depois, fui submetida a um outro filme, Doce Vingança 2, onde uma mulher é sequestrada e estuprada por vários homens, os quais parecem ser todos da mesma família. Fiquei mais chocada ainda e desde aquele dia não consigo nem ver, nem ouvir falar nada sobre o assunto. Mesmo assim, aqui me encontro eu, escrevendo sobre isso. Para aliviar a tensão, eu acho. Porquê em momentos mais tranquilos aquelas cenas voltam a invadir minha mente. Sempre seguidas pela lembrança de um terceiro filme que assisti, este chamado Idiocracia, no qual o povo americano experimenta um emburrecimento extremo ao longo de vários anos. Parece que caminhamos todos para isso. Eu inclusive. Você, provavelmente, também. Assim como todos os nossos descendentes.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Hipócrita
Você, com sua máscara de boa pessoa.
Você sim, com essa camaradagem toda.
Você não me engana.
Andy, o Robô* é mais confiável que você.
Vou abrir meu terceiro olho
pra ficar com dois no gato e um no peixe.
Porque com você todo o cuidado é pouco.
Você mente, trai e engana.
Você julga, critica e peca.
Depois vai pedir perdão e um monte de outras coisas.
Pois saiba que vamos nos encontrar no quinto dos infernos
e que pra mim não será surpresa nenhuma te ver por lá.
Já pra você...
Há!
*Referência à obra de Stepehen King intitulada "A Torre Negra"
Você sim, com essa camaradagem toda.
Você não me engana.
Andy, o Robô* é mais confiável que você.
Vou abrir meu terceiro olho
pra ficar com dois no gato e um no peixe.
Porque com você todo o cuidado é pouco.
Você mente, trai e engana.
Você julga, critica e peca.
Depois vai pedir perdão e um monte de outras coisas.
Pois saiba que vamos nos encontrar no quinto dos infernos
e que pra mim não será surpresa nenhuma te ver por lá.
Já pra você...
Há!
*Referência à obra de Stepehen King intitulada "A Torre Negra"
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Anos 2000
Aqueles dias tão cheios de poeira
Tão cheios de sangue e de mal-estar
Aqueles dias em que senti mais profundamente
a dor de amar
Foram dias de lágrimas sem fim
Vertidas dia após dia
Rolando pelo meu rosto, zombando de mim
Aqueles dias de feiúra
Onde tudo me parecia errado e podre
Mas que mesmo assim me fazem sentir
uma grande nostalgia
E uma tristeza muito bem definida
por tudo aquilo que me cercava
e por tudo o que eu sentia
Aqueles dias ainda me fazem querer chorar
Não de saudades, mas de tristeza mesmo
por mim e pelos meus
Que dias duros!
Aqueles dias me fazem pensar
Que daqui a dez anos,
quando me lembrar do dia de hoje
não sinta vontade de me jogar na cama e chorar
até ficar com o rosto inchado.
Tão cheios de sangue e de mal-estar
Aqueles dias em que senti mais profundamente
a dor de amar
Foram dias de lágrimas sem fim
Vertidas dia após dia
Rolando pelo meu rosto, zombando de mim
Aqueles dias de feiúra
Onde tudo me parecia errado e podre
Mas que mesmo assim me fazem sentir
uma grande nostalgia
E uma tristeza muito bem definida
por tudo aquilo que me cercava
e por tudo o que eu sentia
Aqueles dias ainda me fazem querer chorar
Não de saudades, mas de tristeza mesmo
por mim e pelos meus
Que dias duros!
Aqueles dias me fazem pensar
Que daqui a dez anos,
quando me lembrar do dia de hoje
não sinta vontade de me jogar na cama e chorar
até ficar com o rosto inchado.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Elisa na nova cidade.
Marta. Ela era sua vida. Seu tudo. Às vezes discutiam, mas, oras... Todo casal discute. Em compensação, é como diz o ditado: depois da tempestade vem a bonança. E, de qualquer maneira, suas brigas duravam muito pouco. Se tinha uma coisa que elas faziam terrivelmente mal, era brigar. Sempre acabavam na cama, rindo e se amando.
As duas haviam se conhecido assim que Elisa chegara na cidade. Marta havia ido buscar uma amiga, que chegava para passar férias e Elisa havia ido até ela pedir informação sobre algum hotel em que pudesse instalar-se. Na verdade, poderia ter perguntado a alguém da rodoviária, mas Marta chamara sua atenção. Preta e baixinha, usava um black lindo e tinha o sorriso mais maravilhoso que Elisa já havia visto.
Naquele dia, as duas mais a miga de Marta se juntaram e foram beber e papear em um bar próximo do centro, não muito longe dali. Depois, estenderam para a casa de Marta, que morava sozinha. Ana, a amiga, foi dormir e as outras duas continuaram conversando pelo resto da noite. Acordaram horas depois do nascer do sol, Elisa com a cabeça embaixo da mesa de centro da sala e Marta ao seu lado. Estavam de mãos dadas.
Mais tarde, após mais conversas agradbilíssimas sobre diversos assuntos diversos, tomaram uma decisão: Elisa iria morar ali.. Ana, outros amigos e a família em peso de Marta acharam uma loucura. Todos protestaram, todos foram contra. Depois, quando já haviam tido tempo de conhecer bem Elisa, todos passaram a amá-la, embora ninguém chegasse nem perto de fazê-lo com a mesma intensidade que Marta.
Agora, dez anos depois, as duas haviam conseguido se casar e, para espanto de todos (inclusive delas mesmas) estavam em vias de adotar uma criança. Elisa nunca havia sido tão feliz como a partir do momento em que conhecera Marta.
As duas haviam se conhecido assim que Elisa chegara na cidade. Marta havia ido buscar uma amiga, que chegava para passar férias e Elisa havia ido até ela pedir informação sobre algum hotel em que pudesse instalar-se. Na verdade, poderia ter perguntado a alguém da rodoviária, mas Marta chamara sua atenção. Preta e baixinha, usava um black lindo e tinha o sorriso mais maravilhoso que Elisa já havia visto.
Naquele dia, as duas mais a miga de Marta se juntaram e foram beber e papear em um bar próximo do centro, não muito longe dali. Depois, estenderam para a casa de Marta, que morava sozinha. Ana, a amiga, foi dormir e as outras duas continuaram conversando pelo resto da noite. Acordaram horas depois do nascer do sol, Elisa com a cabeça embaixo da mesa de centro da sala e Marta ao seu lado. Estavam de mãos dadas.
Mais tarde, após mais conversas agradbilíssimas sobre diversos assuntos diversos, tomaram uma decisão: Elisa iria morar ali.. Ana, outros amigos e a família em peso de Marta acharam uma loucura. Todos protestaram, todos foram contra. Depois, quando já haviam tido tempo de conhecer bem Elisa, todos passaram a amá-la, embora ninguém chegasse nem perto de fazê-lo com a mesma intensidade que Marta.
Agora, dez anos depois, as duas haviam conseguido se casar e, para espanto de todos (inclusive delas mesmas) estavam em vias de adotar uma criança. Elisa nunca havia sido tão feliz como a partir do momento em que conhecera Marta.
Elisa resolve mudar-se.
Elisa agora pensava em ir embora. Deixar todo o pouco que tinha aqui e mudar de cidade. Ela estava perdida, confusa e insatisfeita e tinha consciência de que mudar de cidade não melhoraria sua situação, mas precisava fugir.
Tudo o que Elisa havia conquistado nos últimos tempos tinha um sabor amargo. E ela já não sentia ânimo pra nada. A mais, não tinha realmente ninguém. Sua família agora morava no norte do país, seus amigos... bem, eram apenas companheiros das noitadas que gostava de curtir. Elisa decidira ficar em sua cidade natal, mas ela realmente não lhe oferecia nada.
Dois dias depois, ela pediu demissão do serviço, fez as malas e foi até a Rodoviária. Perguntou qual era o próximo ônibus partindo para qualquer cidade que ficasse longe dali. A atendente lhe lançou um olhar de estranheza, mas respondeu assim mesmo. E lá se foi Elisa.
Tudo o que Elisa havia conquistado nos últimos tempos tinha um sabor amargo. E ela já não sentia ânimo pra nada. A mais, não tinha realmente ninguém. Sua família agora morava no norte do país, seus amigos... bem, eram apenas companheiros das noitadas que gostava de curtir. Elisa decidira ficar em sua cidade natal, mas ela realmente não lhe oferecia nada.
Dois dias depois, ela pediu demissão do serviço, fez as malas e foi até a Rodoviária. Perguntou qual era o próximo ônibus partindo para qualquer cidade que ficasse longe dali. A atendente lhe lançou um olhar de estranheza, mas respondeu assim mesmo. E lá se foi Elisa.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Ciúme
É fogo que arde sem ver, mas me queima toda por dentro, da
cabeça aos pés. É a vontade de arrancar os cabelos com as mãos, os meus e os
delas. É, às vezes, saber que não faz o menor sentido e não tem razão de ser,
mas sentir assim mesmo. É ter mil e uma visões torturantes, que mutilam
emocionalmente e azedam o frescor de um bom sentimento. É morrer de raiva sem
mudar de expressão. É a vontade de perder as estribeiras e descer do salto, só
para pegá-lo e arremessá-lo na direção de alguém... É vergonha, por saber que
isto está errado. É um pouco de insegurança e outro tanto de medo. É, minha
gente, o ciúme é feio de se ver e duro de se sentir!
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