terça-feira, 15 de maio de 2018
O que vejo atrás de meus olhos I
Ele me olha, chega mais perto e sorri. Com uma mão, levanta meu queixo e com a outra, envolve minha cintura. Um passo dele para a frente me faz involuntariamente dar um para trás, de forma que dois ou três passos depois, estou com as costas na parede; já não havia mais escapatória. Não que eu quisesse escapar, apenas o pudor me fez andar para longe dele, embora ficasse feliz em saber que ele não se afastaria. Ao chegarmos então à parede, ele deu um último passo em minha direção, o que fez com que nossos corpos ficassem completamente colados um ao outro. Deu então meio passo para trás, apenas o suficiente para que conseguisse aproximar de mim, que era cerca de quinze centímetros mais baixa, o seu belo rosto. Olhou- me nos olhos e então baixou o olhar para a minha boca. Respirou fundo, apertou- me mais em seus braços e me beijou com uma paixão que eu jamais havia sentido antes em homem algum, e jamais tornaria a sentir. Ele agora era meu e eu, dele. E, juntos, éramos um só.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Pensamentos Avulsos IV
Não quero nem pensar em nada. Nem quero ver nada, nem ouvir nada. Porque pensar, ver e ouvir são coisas que fazem a gente sentir e nem sempre o que se sente é bom. O que sinto agora, por exemplo, é quase tão ruim quanto não sentir nada. É solidão, é ciúme, é ansiedade, é frustração, é tudo junto. É o medo do tempo; o tempo já bem próximo e o tempo ainda vindouro. O que sinto agora é também o peso do tempo que já vivi; o que sinto agora é desejo, porém um desejo tresloucado de algo que nunca acontecerá. O que sinto agora é raiva e também impotência. Sinto tanto, mas tanto, que fiquei paralisada. Os olhos de olhar ausente eram a única coisa que se movia em mim. Porém o que eles viam era apenas uma ilusão, provocada por uma esperança vã.
O que os meus olhos viam era a imagem de uma vida que nunca terei: uma vida de paz de espírito, de amor romântico, ainda que real, de alegria de viver, de força e resistência. O que os meus olhos viam em minha ausência, era algo que nunca verão em minha presença, pois minha presença por si só é o que torna vã minha esperança.
Por isso, procuro me resignar à vida que me espera. Respiro fundo e mantenho a aparência de calma, mesmo que por dentro esteja queimando em um incêndio terrível de proporções apocalípticas. Exagero, eu sei. Mas é como me sinto: sou feita de fogo e queimo até a última camada de mim mesma. E queimarei também todos que se aproximarem demais. Melhor então queimar sozinha!
O que os meus olhos viam era a imagem de uma vida que nunca terei: uma vida de paz de espírito, de amor romântico, ainda que real, de alegria de viver, de força e resistência. O que os meus olhos viam em minha ausência, era algo que nunca verão em minha presença, pois minha presença por si só é o que torna vã minha esperança.
Por isso, procuro me resignar à vida que me espera. Respiro fundo e mantenho a aparência de calma, mesmo que por dentro esteja queimando em um incêndio terrível de proporções apocalípticas. Exagero, eu sei. Mas é como me sinto: sou feita de fogo e queimo até a última camada de mim mesma. E queimarei também todos que se aproximarem demais. Melhor então queimar sozinha!
sábado, 14 de abril de 2018
Olhos de jabuticaba
Ele tem um par de olhos grandes e escuros, como duas jabuticabas. Sempre noto isso primeiro. E então vejo aquele sorriso sempre prestes a acontecer, quase ali...
Seu rosto é a última imagem que vejo atrás de minhas pálpebras fechadas antes de dormir e seu nome, o último pensamento lúcido que tenho.
Ao acordar, novamente me vêm a cabeça seu rosto e seu nome, com tanta força que quase posso sentir o calor de seu corpo e o som de sua respiração ao meu lado na cama; e minha mente ainda confusa ao despertar se espanta um pouco de que ele não esteja realmente aqui. Ele reina absoluto em meus pensamentos; a lembrança de sua pessoa me acompanha ao longo dos dias e das noites. Às vezes penso que estou perturbada, perdida... E de fato estou. Mas não me incomodo por isso. Sempre que o vejo, penso, ou lembro dele, é com muita ternura e alegria. E assim vou levando os dias até que os dias o levem de minha mente ou o consolidem aqui por muito, muito tempo.
Seu rosto é a última imagem que vejo atrás de minhas pálpebras fechadas antes de dormir e seu nome, o último pensamento lúcido que tenho.
Ao acordar, novamente me vêm a cabeça seu rosto e seu nome, com tanta força que quase posso sentir o calor de seu corpo e o som de sua respiração ao meu lado na cama; e minha mente ainda confusa ao despertar se espanta um pouco de que ele não esteja realmente aqui. Ele reina absoluto em meus pensamentos; a lembrança de sua pessoa me acompanha ao longo dos dias e das noites. Às vezes penso que estou perturbada, perdida... E de fato estou. Mas não me incomodo por isso. Sempre que o vejo, penso, ou lembro dele, é com muita ternura e alegria. E assim vou levando os dias até que os dias o levem de minha mente ou o consolidem aqui por muito, muito tempo.
sábado, 7 de abril de 2018
Intento de rendição
Quero alguém
Quero alguém pra ser meu companheiro de vida
pra eu não precisar andar sozinha por esta estrada
tão longa, tão bela,
porém tão cheia de obstáculos;
tão difícil...
Pra ter com quem dividir minhas alegrias
pra ter com quem dividir minhas lágrimas.
Pra ter um amigo,
um parceiro,
um amante.
Pra dar o melhor de mim
e sorrir os meus sorrisos mais bonitos
e mais felizes.
Pra brigar e pra brincar
pra dormir e acordar
pra viver reclamando
e morrer de amor.
Pra ser eu e estar nele
e ele ser uma nova pessoa em mim...
Pra ver a luz de seus olhos
e estar na sombra de seu olhar.
Quero alguém pra me encantar
e a quem eu possa fascinar.
Quero alguém assim
e por ele vou esperar.
Quero alguém pra ser meu companheiro de vida
pra eu não precisar andar sozinha por esta estrada
tão longa, tão bela,
porém tão cheia de obstáculos;
tão difícil...
Pra ter com quem dividir minhas alegrias
pra ter com quem dividir minhas lágrimas.
Pra ter um amigo,
um parceiro,
um amante.
Pra dar o melhor de mim
e sorrir os meus sorrisos mais bonitos
e mais felizes.
Pra brigar e pra brincar
pra dormir e acordar
pra viver reclamando
e morrer de amor.
Pra ser eu e estar nele
e ele ser uma nova pessoa em mim...
Pra ver a luz de seus olhos
e estar na sombra de seu olhar.
Quero alguém pra me encantar
e a quem eu possa fascinar.
Quero alguém assim
e por ele vou esperar.
segunda-feira, 26 de março de 2018
Sobre objetividade
Esses dias ouvi de uma pessoa do meu convívio que me falta objetividade. Isto não me foi dito como uma grosseria, mas sim como uma dica e estava relacionada a uma situação bem específica. E, assim que foi dito, senti como se tivessem acendido um interruptor na minha mente. Porque era isso o que estava faltando. Era nisto que eu estava errando. Porque a minha vida sempre parecia voltar para o mesmo ponto, que era o ponto morto. E eu estava andando em círculos.
Mas a partir do momento em que ouvi aquela palavra, dita daquela forma, eu entendi tudo. E agora já posso parar de andar em círculos, e entrar em um caminho linear, cuja única direção possível é para a frente.
Mas a partir do momento em que ouvi aquela palavra, dita daquela forma, eu entendi tudo. E agora já posso parar de andar em círculos, e entrar em um caminho linear, cuja única direção possível é para a frente.
domingo, 18 de março de 2018
Pensamentos avulsos III
...às vezes parece que ainda não comecei a viver minha vida. como se estivesse esperando por alguma coisa, como se esperasse algo acontecer para então dar início a... o que? não saberia dizer exatamente como ou o que é uma vida que já começou. só sei que a minha já está correndo, mas ao mesmo tempo é como se estivesse parada. vejo todos passando por mim, vejo o tempo passar, vejo um desfile de coisas, de assuntos, de tendências do momento, que mudam a todo momento, claro. mas quando se trata de minha própria vida, vejo apenas um caminho pavimentado e tudo em torno é muito escuro, apenas este caminho de cimento, duro, áspero, longo, quase como se fosse interminável e que é perfeitamente visível. de resto, tudo um breu. isso me assusta um pouco. e se...? e se no fim eu estiver só, se não houver ao meu redor ninguém que eu conheça, ninguém que eu ame ou amei e que me ame de volta? porque no fim das contas tudo se resume a isso: aqueles que te amam. não, não é bem isso. ou é? bem, tenho a sensação de que o mundo é muito grande e eu, muito pequena. tenho a sensação de que se morrer sem ninguém, terei fracassado na vida e este será o pior dos fracassos. afinal, se você falha em algo, pelo menos você tentou e sempre vai ter alguém pra te dizer isso com toda a sinceridade e pra te apoiar e te consolar. mas se você não tem ninguém... se você não tem ninguém, a vida é como um abismo e você só vai caindo, caindo... e quando chegar lá embaixo não morrerá, mas encontrará uma solidão terrível e será tudo muito escuro e muito assustador e você será pequeno, pequeno... e as únicas coisas que haverá ao seu redor serão seus medos e não haverá ninguém para te proteger deles, para dizer que foi tudo um pesadelo e vai ficar tudo bem, é só um sonho ruim, volte a dormir e sonhe com os anjos... não, definitivamente não haverá ninguém e nada além dos seus medos. e você estará sozinho com eles, lutará sozinho contra eles e, mesmo que vença, sua vitória terá um gosto amargo, terrível, porque você não terá com quem compartilhar. por isso, trate de não estar sozinho e trate de não passar muito tempo dentro desta cabecinha porque sempre tem uma Paloma à espera do menor erro, da menor brecha, para escapar de sua cela e te dar o dia perfeito.
sexta-feira, 16 de março de 2018
Amar a quem
Ser um ser apaixonado
E não ter a quem oferecer
E ver o riso virar lágrimas
Lágrimas que às vezes doem
E às vezes aliviam
Amar e não ter a quem
E querer rasgar o peito
E gritar
E cantar
Sofrer sem querer
Estar aberto
Ante uma porta fechada
E cegar
E calar
Por não ter a quem ver
E falar:
Eu te amo!
E não ter a quem oferecer
E ver o riso virar lágrimas
Lágrimas que às vezes doem
E às vezes aliviam
Amar e não ter a quem
E querer rasgar o peito
E gritar
E cantar
Sofrer sem querer
Estar aberto
Ante uma porta fechada
E cegar
E calar
Por não ter a quem ver
E falar:
Eu te amo!
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